29 de maio de 2012

Demóstenes quer adiar processo no Conselho de Ética


O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) trabalha para protelar as investigações no Conselho de Ética do Senado para que o processo a que responde por quebra de decoro parlamentar seja julgado somente no segundo semestre.

Ele é processado por ter supostamente mentido aos colegas sobre suas relações com o empresário Carlinhos Cachoeira. Se condenado, poderá ter seu mandato cassado em votação secreta em plenário. Demóstenes irá hoje ao conselho apresentar sua defesa.

Em ano eleitoral, o senador aposta no esvaziamento do Senado a partir de julho, graças às eleições municipais, e no esfriamento das denúncias para escapar da cassação.

O ex-líder do DEM espera a aprovação de requerimento do senador Lobão Filho (PMDB-MA) que pede a transcrição de todos os áudios da Operação Monte Carlo em que aparece ou é citado.

Foram gravadas 356 conversas entre Demóstenes e Cachoeira. Ele é citado em outros 292 diálogos. Técnicos do Senado estimam que, se o pedido for aprovado, a transcrição poderá levar até seis meses diante do volume do inquérito.

Lobão Filho é um dos poucos senadores que admite, nos bastidores, votar pela absolvição de Demóstenes.

O peemedebista diz não ter pressa para julgar o caso --embora negue ação protelatória. Ele justifica o requerimento ao afirmar que a defesa do senador encontrou indícios de adulteração nos áudios captados pela Polícia Federal na operação.

Advogado de Demóstenes, Antônio Carlos de Almeida Castro, negou manobras para protelar o processo. "A acusação deveria ter a mesma preocupação do que a defesa com o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditorio. A defesa não faz manobra. Mas conhece a Constituição."

Demóstenes vai depor hoje no plenário do conselho para negar que tenha quebrado o decoro. O senador vai dizer que não mentiu quando disse que não conhecia os "negócios ilícitos" de Cachoeira. Também vai negar que tenha atuado em favor de Cachoeira no Congresso ao rebater o texto do senador Humberto Costa (PT-PE), relator do caso.

Mesmo com os argumentos em sua defesa, integrantes do conselho e líderes partidários afirmam que a situação do ex-líder do DEM é "muito difícil". "Um mandato não pode definir a duração de uma instituição", afirmou o senador Walter Pinheiro (PT-BA).

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