1 de agosto de 2013

SEGURO DE VEICULO RECUSA DE COBERTURA AGRAVAMENTO DO RISCO ALEGACAO NAO PROVADA ILEGALIDADE DA RECUSA OBRIGACAO DE INDENIZAR




DIREITO DO CONSUMIDOR. SEGURO DE AUTOMÓVEL ARRENDADO POR FILHO DE SEGURADA QUE É A CONDUTORA DO VEÍCULO. NEGATIVA DE COBERTURA DE SINISTRO, SOB ALEGAÇÃO DE AGRAVAMENTO DE RISCO. FATO INEXISTENTE. ILICITUDE DA RECUSA. DEVER DE A SEGURADORA INDENIZAR DANOS MATERIAIS E MORAIS. 

Ação de responsabilidade civil proposta por segurada em face de seguradora em razão de esta ter autorizado em um dia e negado no seguinte o reparo de veículo segurado, ao argumento de que a consumidora agravara os riscos, porque o veículo segurado, de propriedade de instituição financeira, era por esta arrendado a seu filho. Sentença de improcedência. 1. Nada impede que veículo de propriedade de arrendadora, seja segurado por outrem, que não seja o arrendatário, do mesmo modo como nada impede que alguém detenha a posse de bem móvel, por força de leasing, e o destine ao uso de outra pessoa, que o segura, sendo tais circunstâncias do conhecimento da seguradora. 2. No caso versado, é, portanto, de todo irrelevante que o carro fosse arrendado ao filho da autora, destinado ao uso desta e segurado por ela, que o conduzia no momento do acidente; o que sobreleva é que a seguradora tinha conhecimento de que a condutora do veículo era outra pessoa, que não o arrendatário, no caso, uma senhora idosa, com quem contratara, sendo o bem segurado o automóvel, do qual ela declarou ser a principal condutora. 3. Agravamento do risco haveria se o seguro, contratado com base na pressuposição de que o veículo seria conduzido por pessoa idosa e do sexo feminino (situação que estatisticamente se mostra menos arriscada), quando em verdade se destinava a uso do arrendatário, do sexo masculino e de faixa etária menos avançada, situação que ao revés indica maiores probabilidade de sinistro. 4. Recusa ilícita, que fere a boa-fé objetiva, implica dever de a seguradora ressarcir a segurada do dano material que lhe impôs, o qual consiste nas despesas que esta efetuou com os reparos do veículo, com abatimento do correspondente à franquia contratada, ao serviço de reboque do local do acidente para a oficina autorizada pela companhia (dispensado pela consumidora) e, ainda, à substituição de placa de identificação do veículo (eis que não coberta). 5. Tal conduta da seguradora também causa dano moral in re ipsa, agravado pelo fato de a segurada ser septuagenária. 6. Recurso ao qual se dá parcial provimento.

 Precedente Citado : TJRJ AC 2009.001.15186, Rel. Des. Helena Candida Lisboa Gaede, julgada em22/04/2009 e AC 2008.001.16689, Rel. Des. RenatoSimoni, julgada em 23/09/2008.
0100841-15.2011.8.19.0001 - APELACAO CIVEL
CAPITAL - TERCEIRA CAMARA CIVEL - Unanime
DES. FERNANDO FOCH LEMOS - Julg: 26/09/2012

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