O presidente do Supremo Tribunal Federal
(STF), Carlos Ayres Britto, e o ministro Marco Aurélio Mello reagiram
ontem à acusação do secretário nacional de Comunicação do PT, deputado
André Vargas (PR), de que o STF cedeu a pressões ao marcar o início do
julgamento do mensalão para agosto, coincidindo com a campanha
eleitoral.
Marco Aurélio minimizou as críticas do petista
ressaltando que o calendário do Supremo não leva em conta o processo
eleitoral, e sim os ritos processuais, o ministro afirmou que adiar o
julgamento poderia acarretar prescrição dos crimes, em caso de
condenação.
— O Supremo não age a partir de
sugestionamentos ou pressões. Ninguém quis essa coincidência. Essa
reação é muito conhecida no Direito: é o ‘jus esperneandis’ — ironizou o
ministro Marco Aurélio, ao comentar as declarações de Vargas.
Mais comedido, o presidente do tribunal também refutou as acusações do petista, por meio de sua assessoria de imprensa:
—
O processo está maduro para julgamento, tanto que foi unânime a decisão
de fixar o cronograma. Sete anos já decorreram da denúncia e não há
como confundir predisposição para julgar com predisposição para absolver
ou condenar. Uma coisa não tem nada a ver com a outra — afirmou Ayres
Britto.
A definição da data para o Supremo começar a
julgar o mensalão ocorreu dez dias depois de o ministro Gilmar Mendes,
do STF, ter acusado o ex-presidente Lula de pressionar pelo adiamento do
julgamento para depois das eleições municipais.
— Já
imaginávamos que ia ter pressão, mas não imaginávamos que segmentos do
Supremo seriam tão suscetíveis assim. Infelizmente, as ações do Supremo
não são cercadas da austeridade exigida para uma Corte Suprema. Ministro
do Supremo não é para ficar sendo aplaudido em restaurante por dar
decisão contra o PT. Nos EUA, eles não podem nem tirar foto, mas aqui
tem ministro do Supremo com vocação para pop star — disse anteontem ao
GLOBO o secretário nacional de Comunicação do PT.
Mais
moderados, outros petistas lamentam a coincidência com a campanha
eleitoral e que o julgamento não tenha ocorrido antes. O senador Jorge
Viana (PT-AC) diz que o fato do escândalo envolver um partido que sempre
combateu a corrupção, ganhou uma dimensão maior e agora cabe ao
Supremo, o tribunal “mais político que existe”, evitar que o clima da
eleição contamine o julgamento.
— Diante do calendário estabelecido, todos temos que confiar na isenção da mais alta Corte de Justiça
do país. Vale a máxima que decisão judicial não se discute. Agora, acho
inteiramente natural que se discuta porque esse julgamento não
aconteceu antes, ou não aconteça depois das eleições — disse Viana.
Fonte: CNJ/O GLOBO
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