Monólogo de um juiz
Eu conheço pessoas que têm calma
nas tragédias mais fundas da existência,
e lhes confronto os atributos da alma
com os dados matemáticos da Ciência.Conheço aquele, cuja mão se espalma
na defesa tranquila da inocência,
e o que fere, e o que mata sem consciência,
numa loucura que ninguém acalma.Entretanto, a mim próprio sou estranho.
Não será a virtude, que acompanho,
homenagem ao vício em que mais creio ?Pois quanta vez no tribunal austero
já condenei um bem que tanto quero,
e defendi um mal que tanto odeio !
Sebastião Siqueira
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